sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda



 

CPM 22: "Suor e Sacrifício", o álbum mais Hardcore da banda



O CPM 22 já foi a maior banda de Rock do Brasil ali em meados dos anos 2000 com grandes hits como Dias Atrás, Não Sei Viver Sem ter você e Um Minuto para o fim do mundo. Porém, você já chegou a ouvir o álbum da banda chamado Suor e Sacrifício (2017)? Se ainda não ouviu, você não sabe o que está perdendo!

É inegável que a banda ainda segue sendo bem relevante na cena Rock, fazendo shows por todo o Brasil e animando o público por onde passa, mas uma vez que a banda já tem uma carreira consolidada, não é todo mundo que vai atrás de ouvir os novos trabalhos do CPM 22.

Suor e Sacrifício (2017) nem é um álbum tão novo assim, já que neste ano completará nove anos de lançamento, mas por ser um dos últimos lançamentos da banda, nem todo mundo deu a devida atenção que este ótimo disco merecia.

Como a banda já não precisa mais ficar acatando "dicas" de produtores e de gravadora, o disco chegou com uma sonoridade mais intensa, direta e crua, onde a banda conseguiu explorar uma sonoridade mais voltada para o Hardcore e para o Punk que chamaram a atenção dos integrantes lá nos anos 80 e 90 e que fizeram com que eles quisessem seguir na carreira musical.

O disco é bem mais técnico e pesado que os anteriores e aqui a banda traz fortes referências de Bad Religion e NOFX, por exemplo, trabalhos que influenciaram diretamente o trabalho do CPM 22.

O álbum todo merece destaque, mas as músicas Combustível, Honrar Teu Nome e Ser Mais Simples merecem uma atenção especial.

Honrar Teu Nome é uma letra de Badauí para seu pai, já falecido. O músico fez uma bela homenagem póstuma agradecendo seu pai pelos ensinamentos e prometendo honrar todos eles sendo a melhor pessoa que ele puder para seus amigos e familiares, assim como foi ensinado. A sonoridade dessa faixa traz muita influência de Hardcore dos anos 90, mostrando bastante intensidade.

Combustível é a faixa que abre o álbum e mostra que a banda não está para brincadeira! Trazendo velocidade, agressividade, alternando entre velocidade e melodia, a música traz uma boa mensagem e flerta bastante com a sonoridade do Bad Religion.




Ser Mais Simples lembra um pouco mais o que o CPM 22 fazia no início do século, mas também apresenta uma alternância entre melodia e agressividade. Mesmo apostando na temática que fez a banda se sobressair e conquistar o país, aqui vemos uma letra mais madura e um olhar mais sereno para os problemas de relacionamento, tentando encontrar uma solução para isso. A frase mais marcante da faixa é, sem dúvida, "vou pagar pelas escolhas que eu fiz", deixando bem claro a maturidade do eu lírico perante as escolhas feitas ao longo da vida.

De qualquer forma, o disco Suor e Sacrifício (2017) apresenta um lado mais técnico e mais agressivo do CPM 22, mostrando que a banda ainda tem "muita lenha para queimar" e convidando o público a não ficar apenas preso nos hits nostálgicos.




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Hateen: a reflexão importante de superação em "1997"


Hateen: a reflexão importante de superação em "1997"



Como era a sua vida em 1997? O Hateen chegou em 2006 com seu primeiro álbum em português, o ótimo Procedimentos de Emergência (2006), e já trouxe consigo uma reflexão importante sobre superação com a música 1997, o maior sucesso da carreira da banda.

Rodrigo Koala, vocalista e o compositor da faixa, deixa claro que o ano citado no título da música foi importante demais para sua vida, uma vez que rompeu um relacionamento duradouro com uma pessoa que amou muito. Essa situação é descrita na música e mostra a importância da superação vivida pelo músico, uma vez que hoje ele se encontra bem casado e com dois filhos.

A letra da música mostra um certo desespero, mas, ao mesmo tempo, traz um final feliz, mostrando que mesmo depois de viver momentos bem complicados, somos capazes de sobreviver e superar cada um desses problemas.

A faixa continua sendo um dos maiores hits da banda e teve seu videoclipe passado incessantemente na MTV após o lançamento do disco.

A banda traz uma sonoridade que flerta elementos do Hardcore Melódico, do Punk Rock e do que ficou conhecido como Emocore, apostando em bastante melodia e melancolia misturadas com intensidade e alternância de peso e calmaria. A banda segue fazendo seus shows até os dias de hoje e promete novo material de inéditas para o ano de 2026.



Muitos adolescentes da época que a música foi lançada (assim como eu) cantaram as frases marcantes da música a plenos pulmões e muitos de nós passamos por situações parecidas em algum momento. Amar alguém e ver essa pessoa indo embora nunca é fácil, além de ter que conviver com a presença dela por perto e daqueles amigos da outra pessoa que ajudaram a sabotar sua relação, sendo extremamente falsos com você. Toda essa raiva e angústia são detalhadamente expressas nesse bom trabalho do Hateen.

O que resta é levantar a cabeça e seguir em frente, torcendo também para, em algum momento, encontrarmos também o nosso "final feliz".




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Nirvana: o desejo de Kurt de voltar para sua infância feliz

 


Nirvana: o desejo de Kurt de voltar para sua infância feliz



Sliver é uma música muito, mas muito importante para o Nirvana. A faixa é exatamente o elo entre o Nirvana mais denso do Bleach (1989) e o Nirvana mais "pop" do Nevermind (1991). Mas, você realmente já parou para pensar no significado de sua icônica letra?

Por trás de uma narrativa simples que mostra a história de um garoto que fica com os avós enquanto seus pais vão a um show tem um desejo incessante do músico de voltar para sua infância feliz.

Quem conheceu o músico Kurt Cobain sabe o quanto a separação de seus pais quando ele ainda era criança mexeu muito com ele. Somando isso ao fato de tomar remédios fortes desde cedo, fez com que o músico fosse se tornando cada vez mais triste, depressivo e dependente químico, querendo voltar a todo custo a ter aquela sensação que tivera quando ainda era uma criança: um lar feliz e em paz.

Quando Kurt grita a plenos pulmões pedindo para que sua avó o leve para casa ele não está pedindo apenas para ir ao lugar físico onde mora, ele quer ter aquela sensação de paz e segurança que um dia tivera e um dia sentira: ele quer ser feliz de novo. A música é quase um pedido de socorro!

Sliver também foi muito importante para mostrar para o restante da banda e para o público que já os acompanhava que eles estavam mudando de sonoridade: no disco seguinte aquelas letras densas e aqueles riffs sombrios dariam lugar a uma sonoridade mais alegre e dilemas adolescentes.

A faixa foi importante para "abrir espaço e apontar a direção" do que viria a ser o Nevermind (1991) e todo seu sucesso. De qualquer forma, a vontade de voltar a ser feliz e o pedido de socorro do líder do Nirvana jamais poderá ser ignorado.



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Titãs: a boa música de uma frase só




Titãs: a boa música de uma frase só



O quão ousada uma banda tem que ser para criar uma música que repete algumas vezes a mesma frase? O Titãs fez isso com um ótimo trabalho que, além de boa música, ainda é o título do álbum: Jesus Não Tem Dentes no País dos Banguelas (1987).

O álbum foi um trabalho de transição, mostrando a sonoridade pesada que a banda já havia apresentado no trabalho anterior em Cabeça Dinossauro (1986), mas também apontando para uma novidade: a banda começava a flertar com bateria eletrônica e música experimental, mostrando uma nova sonoridade em que estavam também apostando.

Mas, voltando à música que dá nome ao álbum, não é comum termos uma faixa onde se repete várias vezes a mesma frase e nada mais. Dentro dessa ousadia, o Titãs criou uma ótima música que, além de reafirmar o nome da faixa e do disco, ainda trouxe ótimos riffs de guitarra e uma sonoridade que causa tensão e reflexão.

Cantada originalmente na voz de Nando Reis, teve também Branco Mello assumindo seus vocais após a saída do ruivo. Ambas as versões trazem boa tensão e reflexão, fazendo com que a música siga sendo atemporal.

É claro que a letra pode ter várias interpretações e a poesia nos permite isso, mas pensar que Deus se fez carne e viveu junto aos humanos sendo um deles é uma que se encaixa perfeitamente, uma vez que Jesus não tendo dentes no "país dos banguelas", ele se torna igual a todos, mostrando sua humildade em vir à Terra para nos trazer redenção e ensinamentos.

De qualquer forma, o álbum foi, sem dúvida, um marco para a banda e ajudou a fazer com que os Titãs se consolidassem na cena rock nacional. A música segue sendo tocada pela banda e sendo marcante para os amantes de Rock and Roll até os dias atuais.




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sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Nirvana: o grito de Kurt a plenos pulmões em "Where Did You Sleep Last Night"

 


Nirvana: o grito de Kurt a plenos pulmões em "Where Did You Sleep Last Night"



Kurt Cobain nunca fora uma pessoa fácil de se lidar. Ao conhecer Courtney Love, foi como se a pólvora e o fogo se encontrassem: ambos tiveram problemas emocionais desde a infância, abusavam de ilícitos, bebiam muito e tinham bandas de Rock Alternativo em ascensão. Mas, acima de tudo isso, ambos se amavam. Pelo menos Kurt Cobain a amava muito.

O vocalista do Nirvana nunca soube lidar muito bem com a rejeição. Encontrar alguém que estava ao seu lado mesmo antes de o Nirvana fazer sucesso e se enxergar perfeitamente na outra pessoa foi um marco para ele. Courtney, apesar de tudo, foi o alicerce de vida de Cobain em seus últimos anos de vida.

O estilo de vida autodestrutivo dos dois juntos não durou muito tempo: Courtney engravidara de Frances Bean Cobain e começou a se cuidar pela filha. A ideia era que Kurt fizesse o mesmo, mas ele não conseguia por muito tempo.

De qualquer forma, na época do MTV Unplugged in New York (1994) do Nirvana, a relação do casal parecia não estar muito boa. Kurt aceitara o convite da emissora, mas não queria que se metessem no repertório: a banda iria escolher. Dentre as escolhas, uma música de Folk do início do século XX eternizada na voz de Leadbelly surpreendeu a todos: Where did you sleep last night.



Kurt sempre gostou de fazer covers de bandas e artistas que mexiam com ele. Para o acústico, o músico escolheu músicas de LeadBelly, Vaselines, David Bowie e Meat Puppets. De todas, sem dúvida a mais surpreendente fora a do artista de Folk.

A música (que originalmente fora gravada com o nome de In the Pines) acabou sendo a escolhida para encerrar o show. Foi nítido que Kurt deixara tudo de si nessa apresentação, cantando a plenos pulmões seu marcante refrão final. Ali ele não estava apenas fazendo uma apresentação, ele fazia uma declaração de amor para Courtney Love, a pessoa que o músico sentia que estava perdendo. Outras letras que o líder do Nirvana escrevera antes de partir como Do Re Mi e You Know You're Right acabam trazendo mais argumentos para essa triste situação: Kurt sentia que o grande amor de sua vida estava lhe deixando.

Where Did You Sleep Last Night acabou sendo uma espécie de despedida de Kurt Cobain, que partira poucos meses depois. A MTV até pediu que a banda fizesse um "bis", mas Kurt deixou claro que nada superaria aquela música; e ele estava certo.




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Stone Temple Pilots: "Purple", o ótimo segundo disco da banda

 


Stone Temple Pilots: "Purple", o ótimo segundo disco da banda


Toda banda, quando faz sucesso com a estreia, enfrenta um momento crucial: o "teste" do segundo álbum. É fato que várias bandas que fazem sucesso já no álbum de estreia acabam não repetindo os mesmos números no trabalho seguinte, não conseguindo manter o número alto de vendas e de procura da banda para shows. Mas, algumas bandas conseguem se manter no sucesso ou até aumentá-lo e esse foi o caso do Stone Temple Pilots.

"Pegando carona" no sucesso do grunge, mesmo sendo uma banda de San Diego, o Stone Temple Pilots trouxe uma sonoridade que misturava elementos de Hard Rock e de Rock Alternativo em sua estreia, o Core (1992). Devido ao estilo de cantar de Scott Weiland, a banda foi até comparada ao Pearl Jam.

Porém, em junho de 1994 a banda chegava com o Purple (1994), seu segundo álbum, trazendo músicas tão boas quanto ou ainda melhores que o primeiro disco. Aqui a banda se mostrou mais madura, trouxe bons riffs de guitarra, ótimas letras e ótimos refrãos, mostrando que o Stone Temple Pilots estava se consolidando na cena rock mundial.

Além do trabalho instrumental, Scott Weiland começou a explorar novas nuances de sua voz, trazendo uma sonoridade mais aguda, explorando novas notas e novas técnicas. Sendo assim, permitiu uma sonoridade diferente para a banda.

Na época, a banda era formada por Scott Weiland nos vocais, Dean DeLeo na guitarra, Robert DeLeo no baixo e Eric Kretz na bateria. A produção do disco ficou por conta de Brendan O'Brien.

O disco todo é ótimo, mas não posso deixar de destacar quatro músicas: Meatplow, Vasoline, Unglued e o grande sucesso Interstate Love Song.

Manter-se no topo e ainda alcançar mais sucesso depois da estreia, não é para qualquer banda e o Stone Temple Pilots fez isso muito bem com o ótimo disco Purple (1994).



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